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Mercado de Operadores Logísticos: crescimento, porém com desafios

Introdução


O mercado de operadores logísticos ou 3PL tem porte substancial, global e nacionalmente.  Representou uma receita global de USD 3,4 trilhões e uma receita doméstica de BRL 192 bilhões em 2023.  Apresenta também taxas de crescimento médio anual de 5,3% ao ano em todo o mundo e de 7,5% no Brasil em particular.


O porte e as altas taxas de crescimento indicam um mercado bastante atraente.  Além disso, o porte de nossa economia e a pujança do mercado agro oferecem volumes elevados.  A rápida evolução do nosso varejo convencional e eletrônico demandam sofisticação e automação crescente.  Ou seja, o mercado brasileiro oferece volume e oportunidades de diferenciação.


Em um setor que cresce acima do PIB, a pergunta que fica para os donos e CEOs de Operadores Logísticos é quem está capturando maior valor com esse crescimento.


Desafios e Transformação


No entanto, vários fatores impõem desafios e transformação neste, até há poucos anos, mercado bastante estável e pouco inovador.


Entre as alavancas da transformação, destacamos: 

  1. Crescimento da automação logística, trazendo eficiência, sofisticação e complexidade. Sua empresa está investindo em automação para defender margem ou para redefinir posicionamento?

  2. Setor cada vez mais capital intensivo, requerendo além dos tradicionais investimentos em equipamentos de transporte e instalações de armazenagem, investimentos em hardware e software de ponta. Sua estrutura de capital suporta o próximo ciclo de investimentos? Você tem escala suficiente para diluir esses investimentos ou será pressionado por competidores maiores? Capital intensivo sem escala gera fragilidade estratégica.

  3. Os grandes players internacionais evoluindo do modelo 3PL para 4PL. A transição para 4PL desloca o operador da execução para a orquestração da cadeia. Você está sendo visto como executor operacional ou como parceiro estratégico?

  4. A especialização em segmentos da indústria torna-se fator de diferenciação e competitividade. Sua empresa tem uma tese clara de especialização? Ou atua como generalista em um mercado que exige profundidade técnica, compliance e integração sistêmica?

  5. Parcerias com grandes clientes, que se mostram cada vez mais propensos a aumentar a terceirização de suas atividades logísticas, exigem um alto padrão de qualidade, visibilidade e capacidade de coordenação. Sua proposta aumenta o custo de troca (switching cost) ou você é facilmente substituível? Relacionamento estratégico exige assimetria positiva de valor.

  6. Ampliação de escopo e atuação multimodal tornando difícil o crescimento para os players que exercem atividades específicas de transporte, armazenagem ou serviços aduaneiros.  A atuação multimodal tem impacto significativo na redução dos custos de operação e tempos de entrega. Você possui ou está planejando capacidade real de coordenação multimodal? 

  7. Os operadores que conseguem ganhar escala e sofisticação praticam margens de rentabilidade maior e têm melhores perspectivas de crescimento. Qual é sua estratégia de escala? Orgânica ou via M&A? Você está preparado para consolidar ou corre o risco de ser consolidado?


Existem também desafios específicos por segmento de indústria.  A manufatura demanda integração com a indústria 4.0.  O Varejo amplia suas ofertas de entrega no mesmo dia e frete grátis.  O setor Automotivo tem uma cadeia global extensa, complexa e cada vez mais impactada por fatores geopolíticos.  O setor de saúde não deixa margem para erros ou atrasos.  Alimentos arcam com o custo e complexidade elevados da cadeia fria.  Estes são alguns exemplos de desafios enfrentados por algumas das indústrias mais relevantes no consumo de serviços oferecidos pelos 3PLs.


Os Serviços Agregados, embora representem hoje apenas 5% da receita explícita dos Operadores Logísticos, são um fator de diferenciação importante.  O core ainda é responsável por maior parte da receita em termos globais: 73% no transporte internacional e doméstico e 22% para armazenagem e distribuição, mas são serviços de baixo poder de diferenciação.   Serviços de valor agregado e customizados trazem diferenciação e fidelização (aumentam o custo de mudança de fornecedor).  Como Serviços de Valor Agregado podemos citar customizações, montagem de kits, fracionamento, rotulagem, integração com sistemas legados do cliente, etc. Você está estruturando ofertas que aumentam o custo de mudança do cliente?


Por fim, como se não bastassem todos os desafios já citados, o setor está em meio a um processo de consolidação que vai se intensificar nos próximos anos.  Hoje, os cinco maiores operadores logísticos brasileiros detêm 15% de market share.  Nos EUA, os cinco maiores dominam 55% de market share.  Ou seja, existe um amplo espaço para a consolidação do setor.  A grandes empresas de Private Equity do Brasil e os grandes operadores logísticos já estão se posicionando e acelerando o movimento de aquisições.


Conclusão


Deixamos três conclusões importantes:

  1. A logística tem assumido importância crescente, deixando de ser apenas um custo a ser reduzido para assumir importância estratégica para as empresas.

  2. A tendência de terceirização de serviços logísticos é crescente, provocando o crescimento do mercado dos OLs a taxas bastante superiores ao crescimento do PIB.  

  3. Apenas empresas menores e com cadeias de suprimentos simples ainda mantém um baixo grau de terceirização.


A pergunta final não é se o mercado crescerá. Sim, ele crescerá. A questão estratégica é outra: Sua empresa está posicionada para capturar valor ou apenas participar do crescimento?


Se sua estratégia é apenas defensiva em vez de transformacional, você não construirá vantagem competitiva e, em ciclos de transformação e consolidação, crescimento não garante sobrevivência.



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